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segunda-feira, 3 de abril de 2017

o melhor bolo



Esse bolo não é gourmet. Não tem marca nem assinatura de cake designer. É um bolo caseiro, feito pela minha mãe; um pão de ló com recheio de pêssegos em calda, chantilly por cima. Simples. Delicioso. Mas o que faz esse bolo ser o mais especial dos bolos de aniversário é que em cima dele colocamos e acendemos as velinhas para celebrar os 77 anos da minha avó Rosa. Uma mulher forte e decidida, que criou 4 filhos ao lado do marido, tem 3 noras, 1 genro, 8 netos e 1 bisneto. Foi na cozinha dela que eu fiz mil experiências e aprendi a bater bolos. Almocei infinitas vezes entre uma aula e outra o melhor arroz-feijão do mundo. Ovos nevados, geleia caseira, milanesa, torta de escarola. O tal macarrão alemão, receita clássica de família apesar de termos origens portuguesas. O bolo Primavera. Biscoitos. Chá.


Na mesa da casa dela, eu descobri que comer e cozinhar também é um jeito de amar.


@carol_vascon
@menuexecutivo

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Receita nova é aquela que você nunca provou

Tenho lembranças muito antigas do ato de cozinhar e/ou acompanhar minha mãe, minha avó, no preparo de alimentos e refeições. Lembro do sabor da maçã raspadinha do lanche da tarde, do perfume de bolinhos de chuva, de abrir a massa dos biscoitos nas férias.

Cozinhar para mim sempre foi muito mais que o ato de preparar algo para comer. O ato em si é tão cheio de significados. E, óbvio, eu adoro comer. Provar. Testar.

Aos poucos, me percebi cada vez mais ligada à cozinha. Com sete anos, escolhi o livro de receitas da Magali na banca de jornal e cozinhei várias - quando não, ficava 'planejando' eventos, pensando em cardápios para quando viesse uma amiga, quando fizesse um picnic, quando fosse aniversário da boneca. Muitas receitas jamais saíram daquelas páginas, mas o livro segue na minha prateleira de receitas até hoje.

Mais velha, morando sozinha, cozinhar era mais que prazer, era também necessidade. E isso só fez aumentar o prazer - ao contrário do que muitos dizem, cozinhar por "obrigação" me inspirava a buscar alternativas e novidades quase que diariamente. O menu da casa dos meus pais não era mais o meu menu; eu comecei a ter os clássicos da casa da Carol e isso já me alimentava de um jeito tão profundo! O bolo de chocolate da Carol, a torta de cebola da Carol, as panquecas, o risoto, o mousse...

Cozinhar me ensinou muitas coisas além dos sabores e temperos. E hoje, lendo o texto A cozinha como treino pra vida, publicado no Papo de Homem, me dei conta de como evoluí como pessoa e profissional cozinhando, como cozinhar influi diretamente nos outros todos aspectos da minha vida.

Ansiosa que sou, cozinhar me ajuda a desacelerar. A parar. E aí cortar, lavar, picar, separar, pesar, escolher, medir, refogar, assar, virar, fatiar, esperar. Cozinhar é uma ação, não um fim. E que demanda espera. Paciência. Coisa que só não me falta quando estou à frente do combo bancada-pia-forno&fogão.

Quando me sinto irritada, sem foco, cansada, a saída é bater um bolo. Alguns saem pra correr, outros para beber, outros vão dormir, eu tenho vontade de assar um bolo bem perfumado. Me renova.

Mas também percebi que meu estado de espírito reflete diretamente no resultado do que sai das panelas e formas. E aí, mais um aprendizado: me frustro (também e até) fazendo o que mais gosto da vida. E quando isso acontece, é porque 'bater um bolo' não resolve, é preciso ir mais além e olhar mais fundo.

Grávida, me percebi distraída, porém calma. Isso atrapalhou algumas receitas mas, pela calma, eu notava e corrigia. Antes de por a massa na assadeira, checava os ingredientes e mais de uma vez só não esqueci o fermento por ter feito o checklist. Mas quando a gravidez avançou e me percebi com medo, tensa, irritada e ansiosa, preocupada demais com o futuro, com a pergunta "como será?" martelando sem parar, cheia de questões e dúvidas, correr fugida para a cozinha não resolveu... Esqueci de temperar a carne e o polpetone ficou sem sabor. Coloquei só metade da quantidade de farinha e o muffin não só vazou como ficou com cara de pudim e sem maciez. Cortei um dedo, esqueci o shoyu, derramei calda, pulei etapas. E isso me fez sair da cozinha tão frustrada!

Como no texto do Alberto, eu aprendi a me planejar e a esperar. Mas aprendi também a maior das lições da cozinha: quando se testa uma receita nova, não se sabe o que vai encontrar. Um mistério. Resta seguir os passos propostos, esperar o tempo e então provar. Talvez tentar de novo, adaptando isso ou aquilo. Quando dá certo, entra no caderno - se não der, outras tantas estão aí. Outros jeitos, outros molhos e caldas, outros temperos.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

terapia

O problema era claro. Não se sentia feliz. "Será depressão, doutor?" Ele garantia que não. Mas o que então que a deixava sem forças, sem energia, sem vontade de levantar? Aonde teria perdido o tesão de cozinhar, o desejo de fazer compras no mercado toda semana? Onde estaria a energia que tinha antes? "Abstinência", o médico cravou. "Você está comendo mal."



Mas não estava. Tinha certeza que não. Descreveu com detalhes as refeições dos últimos dois ou três anos. Salada todo dia, muitos grãos, soja, grão de bico, feijão. Arroz, só do integral. Queijos brancos, tofu, pouco óleo, fritura nunca, quando muito um azeite. Não colocava sal extra em nada, evitava os doces, não tomava mais tanto café - um expresso por dia era só! - e cuidava para fazer as melhores opções. Carne vermelha uma vez na semana, sempre que possível peixe, massas integrais, legumes frescos e cozidos. Pequenas porções, lanchinhos saudáveis de 3h em 3h, até iogurte, que odiava, estava no cardápio diário.

Escolhia a dedo os melhores restaurantes por kilo do bairro, onde pudesse achar grande variedade de verdes e uma proteína magra. Sem gastar muito, claro, comer saudável era um assalto, ainda mais nesse bairro recheado de escritórios. Falando em recheado, não comia Bono há seculos, havia trocado por cookies integrais com fibras. E água de coco! Muita!

"Taí. Seu tratamento vai ser mais simples do que parece." Ela não acreditava. Finalmente, graças a deus, amém tinha encontrado alguém que a entendia. Mas em vez de uma receita médica com dois ou três nomes para serem comprados na farmácia mais próxima, o médico sacou da gaveta um Guia Michelin.

Sabia que parte do tratamento ela já devia ter em casa: livros e livros de gastronomia e receitas. Faltava então dar um caminho, talvez ela não se lembrasse mais como fazer roteiros. "Saia para comer. Em bons lugares, ressaltou. Se não for assim, não vai funcionar. Esqueça o kilo e o PF vagabundo. Vá comer batatas fritas, o melhor hambúrguer da cidade, o croque monsieur do Ici, o picadinho do bar. Faça um concurso pessoal do melhor sorvete de doce de leite. Vá aos restaurantes que servem comida estrangeira e mate a saudade das melhores viagens que já fez. Esse fim de semana você tem que começar indo ao Mercadão e escolhendo algo bem incrível para cozinhar. Faça isso todos os fins de semana. E o mais importante: coma, todos os dias, algo que a faça feliz. Pode escolher."

Profiteroles. A cura estava perto.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Saúde, alimentação, hábitos, futuro. Tá tudo junto e misturado

Rewind the future. Os maus hábitos começam quando? Por que se preocupar com a alimentação dos pequenos desde sempre? Como você quer que seu futuro e dos seus filhos seja?



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Detox - uma experiência

Isso vem escrito em todas as embalagens!

Contei aqui que ia fazer um detox, um Dia D. Pois então: na sexta-feira dia 11/10 recebi meu kit de 6 sucos, cada um com 480ml, que deveriam ser tomados de 2h em 2h. Foi um dia normal de trabalho, então trouxe uma geladeirinha cheia de gelo, e deixei os sucos lá. Vou contar um pouquinho de cada um:

8h30
Suco 1: pepino, salsão, espinafre, salsinha, limão siciliano.
Este tinha um forte gosto de salsão no fim, mas foi tranquilo tomar. Encheu a barriga mesmo, senti zero fome. Ah, claro, não comi nada de manhã!

11h30
Suco 2: água ionizada, limão siciliano, açaí em pó, pimenta caiena, stévia.
Este tinha uma cor linda! Quando abri, fiquei super animada com o perfume de açaí. Mas vou te contar: a pimenta caiena era DAQUELAS. No fim, a garganta ardia. Tomei tranquilamente até a metade, o resto foi bem hard core.


13h30
Suco 3: pepino, gengibre, menta, maçã.
Achei o melhor. Bem levinho, quase doce! E bem refrescante, com bastante gengibre. Curti. Ainda achei o volume difícil rs, 480ml de suco de uma vez assim não é tão fácil de tomar.
16h
Suco 4: cenoura, maçã, limão, gengibre, beterraba.
Mais um sucão de cor linda! Predomina o gosto de beterraba e cenoura, com um fim de gengibre. Nessa hora, comecei a sentir dor de cabeça... falta de cafeína? Provavelmente sim!

Ah sim, até 16h já tinha feito uns seis mil litros de xixi rsrs... desculpa a intimidade, mas é importante num detox rs...

18h
Suco 5: água ionizada, framboesa, semente de chia, stévia.
Me dei conta de que talvez não goste da stévia... Era o que esse suco, que eu tinha tudo pra amar, tinha em comum com o de açaí (suco 2). Será? Bom, achei que nesse momento teríamos tipo uma vitamina, uma coisa mais 'cremosa'.Mas não. Era um sucão mesmo, bem azedinho.
Foto: divulgação
20h
Suco 6: água ionizada, castanha de caju, extrato de baunilha, canela, stévia.
O último (!!!) era quase um leitinho. Super perfumado de baunilha e canela, era o mais calórico - todos os outros tinham entre 100 e 120 calorias, este tinha mais de 300kcal!
Tomei animada pra terminar logo o dia, mas nesse momento já estava beeem enjoada - sintoma comum, conforme o manual do detox.


Foto: divulgação

O balanço
1. Você percebe que come pra se distrair. Precisa se concentrar em algo no trabalho e aí quer um belisco, uma bolachinha, um café, um chocolate... Só poder tomar suco/água deixa isso muito claro.

2. Mastigar é importante. No fim do dia, eu não tinha fome (zero mesmo!), nem vontade de comer, mas sentia um estranhamento de não ter mastigado nada...

3. O detox mexe demais e quase que imediatamente com seu corpo. Logo depois do suco 1, já senti muito mais vontade de fazer xixi. Depois dos sucos 2 e 3, sede absurda - tomei bastante água durante o dia. Depois do suco 4, senti um frio danado nos pés e mãos (?). Às 21h (de-uma-sexta-feira), peguei sono, de desmaiar mesmo. Dormi super bem. Acordei com bastante dor de cabeça - parecia ressaca! Mas foi fazer a primeira refeição que passou, como mágica.

5. Me olhei no espelho e tinha, visivelmente, desinchado MUITO. E me senti super disposta, cheia de energia.

Conclusão: é difícil. É para os fortes. É para quem não tem o paladar muito sensível rs - afinal, suco de "salada" não é pra qualquer um! Mas funciona e muito! Adorei ter feito!